Educação de Jovens e Adultos no Brasil: História, Desafios e Futuro
- Isaque Pers
- 20 de jun.
- 3 min de leitura
✨ 1. História da EJA no Brasil
A EJA evoluiu a partir de iniciativas anteriores como o ensino supletivo, MOBRAL e Cruzada ABC durante o regime militar nos anos 1960–80 (informaalagoas.com.br).
A Constituição de 1988 consolidou seu reconhecimento como direito, incorporando-o na LDB de 1996 como modalidade formal da educação básica . Nos anos 2000, políticas como PEJA, PROEJA, PRONERA e o Programa Brasil Alfabetizado institucionalizaram a modalidade, ao lado de avanços como o Encceja (a partir de 2002) e inclusão no PNLD, Fundeb e cotas de matrícula (humaitadigital.com.br).
Influenciada por Paulo Freire, a EJA adota metodologias dialógicas, vinculadas à educação popular (pt.wikipedia.org).
2. Importância da EJA para quem perdeu o ensino na idade certa
A EJA é essencial para garantir o direito à educação, cidadania plena e inclusão social e profissional de quem foi excluído do sistema formal (pt.wikipedia.org).
Serve como via de acesso a documentos, empregos melhores, desenvolvimento pessoal e combate ao analfabetismo absoluto e funcional. Cerca de 9–11 milhões de adultos ainda são analfabetos, e cerca de 65 milhões não concluíram o ensino básico (edocente.com.br).
3. Principais motivos para não estudar na idade correta
Vários fatores explicam a evasão precoce:
Pobreza, necessidade de trabalhar e contribuir com a renda familiar desde cedo (pt.wikipedia.org)
Reprovação recorrente, baixa qualidade de ensino e falta de apoio escolar (educacaopublica.cecierj.edu.br)
Discriminação de classe e localidade (rural versus urbana) (educacaopublica.cecierj.edu.br)
Mobilidade (migração), desigualdades regionais e exclusão social
4. A EJA é necessária no Brasil? Por quê?
Sim. A EJA assegura a universalização da educação, combate desigualdades históricas e fortalece a cidadania. É fundamental para o desenvolvimento econômico e social, conforme metas do Plano Nacional da Educação (PNE). Sem EJA, milhões ficam sem diploma, digitais e direitos garantidos pelas políticas públicas.
5. Investimentos públicos na EJA nos últimos 10 anos
Os recursos federais oscilaram drasticamente:
Ano Investimento (R$)
2012 - 1,48 bilhão
2022 - 38,9 milhões (3 % do valor inicial) (sinprodf.org.br, jeduca.org.br)
Entre 2019–2021, houve os menores valores para EJA no século (edocente.com.br).
Houve também queda de turmas (de 149 mil para 119 mil entre 2012–2023) e matrículas (de 4,08 milhões em 2011 para 2,39 milhões em 2024) (oitomeia.com.br).
Houve recente recuperação tímida em 2022–23, mas ainda distante dos valores anteriores (reddit.com).
6. Futuro da EJA com a ascensão da extrema‑direita?
A ascensão de governos conservadores fragilizou a EJA: extinção de SECADI (2019), cortes orçamentários e foco no Encceja, não na modalidade escolar (edocente.com.br).
Apesar disso, programas como “Pé‑de‑Meia” (2024) incentivam permanência (pt.wikipedia.org).
Muito depende da mobilização social e pressão para garantir investimentos.
7. EJA: direito ou assistencialismo temporário?
A EJA é um direito constitucional (Art. 208 CF/1988; LDB/1996), não um programa assistencialista. Sua continuidade está garantida enquanto houver demanda – ou seja, indefinidamente . Os cortes recentes ameaçam sua efetividade, mas não sua legitimidade legal.
8. Prós e contras da EJA
Prós
Direito à educação e cidadania real
Emancipação pessoal
Melhores oportunidades profissionais
Inclusão de grupos marginalizados
Contras
Baixos investimentos públicos e escassez de turmas
Alta evasão por falta de suporte (financeiro, estrutural)
Qualidade variável conforme rede e localidade
Foco excessivo em exames (Encceja), sem reforço escolar
9. Reconhecimento dos profissionais da EJA e perspectivas
Os professores da EJA fazem trabalho transformador, exigindo sensibilidade e adaptação a realidades diversas (reddit.com).
Enfrentam desafios como falta de recursos e evasão, mas promovem esperança. Especialistas literais enfatizam que “para aprender não tem idade” (oglobo.globo.com).
Para um futuro positivo, é fundamental retomar investimentos, fortalecer políticas integradas (PNLD, Fundeb, Pé‑de‑Meia), profissionalizar educadores e desenvolver currículos que contextualizem a vida adulta e o trabalho. Com apoio político e social, a EJA pode transformar realidades.
📚 Referências
Dados de investimento e matrículas: Movimento pela Base, dossiê 2012–2022 (jeduca.org.br).
Investimentos mínimos e contexto político (2019–2021): O Globo, Oitomeia, SINPRO‑DF (sinprodf.org.br).
Construção legal da EJA e histórico: Wikipedia Brasil EJA, Informa Alagoas (informaalagoas.com.br).
Perfis sociais e contextos educativos: Revista Educação Pública, Porvir (educacaopublica.cecierj.edu.br).
Programas recentes: Encceja (2002–), Pé‑de‑Meia (2024) .







Reflexão necessária e importante.