top of page

CMEJA de Jundiaí: história, importância e os caminhos para sua preservação

  • Foto do escritor: Isaque Pers
    Isaque Pers
  • 4 de out.
  • 7 min de leitura

Por [IsaquePers]

Origens e missão


O Centro Municipal de Educação de Jovens e Adultos (CMEJA) Prof. Dr. André Franco Montoro foi criado pela Lei Municipal 4.704, de 21 de dezembro de 1995, a partir do que antes era o Centro Municipal de Ensino Supletivo de Jundiaí.


Sua missão é clara: oferecer gratuitamente a oportunidade para jovens e adultos que, por diversos motivos, não tiveram acesso ou não concluíram os ensinos Fundamental e Médio na idade adequada. (Pessoa Idosa)


O prédio-sede está localizado no Complexo Argos, na Vila Arens. Além dele, existem núcleos descentralizados atendendo em outros bairros de Jundiaí – Novo Horizonte e Vista Alegre. Haviam também nos bairros Morada das Vinhas, Jardim São Camilo / Tarumã, Santa Gertrudes, Engordadouro, Almerinda Chaves, Cidade Nova, Vila Marlene, entre outros, mas foram desativados. (Juventude)



Evolução pedagógica e reconhecimento


Ao longo dos anos, o CMEJA implementou inovações pedagógicas voltadas à humanização, à adaptação às necessidades dos estudantes adultos, muitos dos quais trabalhadores, com responsabilidades familiares, etc. Por exemplo:


  • Em 2016, — já com quase 20 anos de existência — ganhou destaque em revista especializada por suas práticas que flexibilizaram horários (ensino presencial e semipresencial) para atender quem trabalha ou tem compromissos fora da escola. (Prefeitura de Jundiaí)


  • Formas de descentralização para facilitar o acesso, e reformulação dos cursos para torná-los mais realistas e acolhedores ao perfil do aluno adulto. (Prefeitura de Jundiaí)


  • Inclusão de turmas nos núcleos nos bairros para que o aluno não precise se deslocar muito, redução da evasão, oferta de recursos pedagógicos mais adequados, além de qualificações para professores e funcionários para atendimento especializado. (Prefeitura de Jundiaí)


Publicações oficiais apontam, por exemplo, que nos últimos sete anos (até 2024/25) foram registradas mais de 13.700 matrículas no CMEJA, com histórias de superação pessoal que mostram o valor social e humano da instituição. (Tribuna de Jundiaí)



Impacto social e importância para a comunidade


O que o CMEJA representa vai além de "dar aula"; ele simboliza:


  • Inclusão social: pessoas que por circunstâncias diversas (trabalho, família, desigualdade, mobilidade social limitada) ficaram fora do circuito escolar “normal” têm no CMEJA uma chance de reverter parte dessas perdas.


  • Resgate de autoestima: muitos estudantes adultos relatam que voltar a aprender, a ler, a escrever, ter sua própria voz, poder participar de forma cidadã, muda profundamente sua autoimagem e a maneira como se veem na comunidade.


  • Impacto familiar e comunitário: filhos, netos, vizinhos percebem que educação é algo acessível, não só para “quem faz faculdade ou está no início da vida acadêmica”, mas para qualquer cidadão.


  • Formação cidadã e cultural: além dos conteúdos formais, há eventos culturais (festas juninas, formaturas, vivências) que aproximam os estudantes, professores, familiares e a comunidade, fortalecendo vínculos. (Jundiaí Online)


Além disso, instituições como o CMEJA ajudam a diminuir desigualdades: alfabetização tardia, analfabetismo funcional, lacunas de escolaridade contribuem para limitar o acesso ao trabalho decente, à participação política, ao exercício de direitos básicos. CMEJA atua como ponte para muitos desses direitos.



Os desafios: ameaças reais à continuidade


Apesar desse histórico positivo, o CMEJA enfrenta ameaças que, se não forem enfrentadas, podem levar à sua complacência ou até mesmo ao seu fechamento, como já aconteceu com outras instituições. Alguns dos principais problemas:


  1. Gestões públicas mal preparadas e instáveis


    Muitas vezes, decisões estratégicas ligadas à EJA são deixadas nas mãos de gestores de confiança, com pouca especialização, e sujeitos a trocas frequentes. Essa alternância instável dificulta continuidade de projetos pedagógicos, manutenção de políticas bem-sucedidas e previsibilidade.


  2. Orçamento incerto ou insuficiente


    A educação de jovens e adultos requer investimento específico: material, pessoal capacitado, recursos para atendimento especializado (ex: Libras, AEE), estrutura adequada, transporte se necessário, aulas em horários flexíveis, etc. Cortes ou falta de prioridade no orçamento ameaçam essas exigências.


  3. Desvalorização de professores e funcionários


    Professores concursados e efetivos, que têm experiência e compromisso, frequentemente enfrentam desmotivação quando o trabalho não é reconhecido adequadamente, quando lhes é exigido mais sem suporte, ou quando há pressão por metas irreais. Em muitos casos, o poder público ignora o caráter especializado da EJA, tratando-a como “modalidade menor”.


  4. Infraestrutura e acessibilidade


    Nem sempre o espaço físico, acessos, salas, equipamentos e recursos estão à altura do que se exige para oferecer ensino de qualidade a adultos com demandas específicas (por exemplo, pessoas com deficiência, horários noturnos ou de fim de tarde, núcleos descentralizados).


  5. Descontinuidade de políticas públicas e prioridades eleitorais


    A EJA pode se tornar alvo de cortes quando não está “na moda” politicamente; projetos podem ser descontinuados, horários comprimidos, núcleos fechados, se há mudança de prefeitos ou secretários que não se sensibilizam com sua missão.


  6. Baixa visibilidade e mobilização política


    Muitas vezes, quem beneficia ou se beneficia do CMEJA (alunos adultos) não tem voz política forte para pressionar por sua manutenção; há pouca divulgação de seus resultados, menos presença de imprensa ou de acadêmicos sistematicamente acompanhando o que acontece.



A crítica ao poder público


Se quisermos ser diretos, algumas gestões municipais têm agido com inexperiência ou descaso, tratando a Educação de Jovens e Adultos como área secundária, sem a mesma urgência ou importância que dão à educação infantil ou ensino básico regular. Isso se revela em:


  • decisões tomadas sem diálogo com professores ou com a comunidade do CMEJA;


  • cortes de recursos ou atrasos;


  • negligência em manter funcionários concursados bem respaldados, ou ainda em assegurar que contratações por confiança não prejudiquem a qualidade ou acolhimento;


  • projetos educacionais bem-sucedidos abandonados ou modificados sem justificativa clara;


  • risco de transformá-lo numa “lembrança” como tantos prédios e instituições culturais e educacionais que, após décadas de história, foram deixados sucatear ou vendidos.


Esses problemas decorrem, em grande parte, da visão curta de gestores que olham para resultados imediatos, po­liticamente visíveis ou que rendem votos, negligenciando o processo educativo de médio e longo prazo, especialmente quando esse processo exige investimento silencioso e sustentado.



Possíveis soluções para garantir sua perenidade


Para que o CMEJA não se torne um símbolo do esquecimento, ou mais um equipamento público abandonado, seguem sugestões que poderiam – se implementadas – fortalecer sua existência:


Gestão participativa e democrática:

Incluir professores efetivos, estudantes adultos, funcionários e comunidade local nos processos de decisão (planejamento pedagógico, horários, políticas de atendimento). Tornar público os planos de longo prazo para a EJA.


Lei municipal específica para EJA:

Se ainda não tiver, que haja uma legislação municipal que garanta os recursos mínimos, a oferta permanente, direitos dos alunos adultos, garantindo continuidade além dos ciclos políticos.


Orçamento assegurado / vinculado:

Destinação de parte do orçamento municipal para EJA, com previsão de reajustes, para cobrir necessidades específicas: investimento em material, tecnologia, acessibilidade, número de professores suficientes, formação continuada.


Valorização docente:

Professores concursados e efetivos precisam de reconhecimento – tanto salarial quanto de condições de trabalho –, tempo para formação, suporte pedagógico, materiais adequados, tecnologias, redução de plano burocrático excessivo.


Infraestrutura e descentralização bem mantidas:

Manter, ampliar e estruturar os núcleos nos bairros com bom espaço físico, transporte, horários flexíveis, acessibilidade para pessoas com deficiência. Investir no prédio do Complexo Argos como espaço simbólico e funcional.


Parcerias:

Colaborações com universidades, ONGs, iniciativas culturais, empresas para recursos, projetos complementares (linguagem, arte, tecnologia, formação profissional integrada). Isso já se fez em parte (projetos literários, culturais) – pode-se ampliar.


Visibilidade e comunicação:

Mostrar resultados, fazer pesquisa, divulgar histórias de superação (como já acontece), envolver imprensa, redes sociais; isso ajuda a criar uma pressão social para manutenção.


Legado institucional:

Assegurar que projetos iniciados sob certa gestão sejam documentados, avaliados, para que possam ser continuados por gestões futuras. Criar mecanismos de monitoramento e avaliação da EJA como política municipal, não só como programa.



Cenário ideal e risco de esquecimento


O CMEJA pode e deveria estar longe de ser apenas uma referência nostálgica ou um prédio tombado (como é o Complexo Argos, que é patrimônio histórico estadual e municipal) que abriga equipamentos importantes, mas também rumorosos símbolos de negligência quando há descaso.


Se não houver compromisso institucional, e se gestores continuarem a ver a educação de jovens e adultos como “obra de caridade temporária” em vez de como direito constitucional, há o risco de que:


  • núcleos sejam desativados;


  • escolas deixem de oferecer turmas em determinados níveis (Fundamental II, Ensino Médio) ou modalidades;


  • professores sejam substituídos por contratações “mais baratas” ou temporárias sem preparo;


  • infraestrutura se degrade;


  • matrículas caiam por desmotivação ou dispersão;


  • o CMEJA seja lembrado como um modelo perdido, semelhante a outras instituições culturais ou educacionais que sucumbiram ao descaso público.



Conclusão


O CMEJA de Jundiaí é mais do que uma escola; é um espaço de cidadania, dignidade e esperança para milhares de pessoas. Seu valor social, pedagógico, humano ultrapassa qualquer interesse político momentâneo. Os professores efetivos e concursados que, muitas vezes, resistem a pressões, fazem o trabalho invisível (preparo, adaptação, diálogo com alunos adultos, lidar com diversidade) e garantem que esse espaço não seja apenas uma promessa, mas uma realidade viva, merecem respeito, reconhecimento e apoio político.


Garantir o futuro do CMEJA não é favor, é obrigação ética e legal: de cumprimento dos direitos de educação, de justiça social, de investimento em democracia. É também um legado para Jundiaí. É manter viva a crença de que nunca é tarde para aprender, de que toda pessoa pode reconquistar aquilo que não recebeu. Se o poder público quiser realmente honrar seu papel, precisa agir agora – não esperar que o CMEJA seja apenas uma memória no Complexo Argos.



Fontes:


  1. Site oficial da Prefeitura de Jundiaí – CMEJA / Complexo Argos

    • Página institucional do CMEJA, com endereço, matrícula, estrutura, contato etc. (Prefeitura de Jundiaí)


    • Notícia “Educação de Jovens e Adultos (EJA) está com matrículas abertas para os Ensinos Fundamental e Médio”, informando inclusive modalidades (presencial / semipresencial) (Prefeitura de Jundiaí)


    • No conjunto de notícias da prefeitura com a tag “CMEJA” para acompanhar eventos, programas, atividades do CMEJA (Prefeitura de Jundiaí)



  2. Notícia sobre tombamento do Complexo Argos

    • “Complexo Argos é tombado pelo Condephaat” — informa que o conjunto arquitetônico da antiga fábrica foi tombado como patrimônio estadual, e relaciona as instituições que ali funcionam hoje, inclusive o CMEJA. (Prefeitura de Jundiaí)


    • Fonte que descreve a história da Argos — sendo uma indústria têxtil importante, falência, reaproveitamento do espaço para usos públicos (educação, cultura) (Elis Salles)


  3. Notícia local – Tribuna de Jundiaí

    • “Volta às aulas da Educação de Jovens e Adultos em Jundiaí é marcada por histórias de superação” — informa local do CMEJA (Complexo Argos, endereço), núcleos descentralizados, requisitos de inscrição, horários de funcionamento etc. (Tribuna de Jundiaí)


  4. Outras menções institucionais e regulatórias

    • Página “Educação de Jovens e Adultos define novas regras para atendimento aos alunos” — descreve medidas adotadas no CMEJA em contexto de pandemia, contato, atendimento e restrições presenciais. (Câmara Municipal de Jundiaí)


    • Site institucional “Complexo Educacional e Cultural Argos” no Circuito das Frutas — descreve os usos culturais e educacionais no espaço da antiga Argos, citando que abriga o CMEJA, Bibliotecas, centro de línguas etc. (Circuito das Frutas)


  5. Utilização da Inteligência Artificial



 
 
 

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
bottom of page