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Jundiaí em obras: crescimento imobiliário acelera, mas mobilidade e bem-estar urbano ficam em segundo plano

  • Foto do escritor: Isaque Pers
    Isaque Pers
  • 15 de out.
  • 3 min de leitura

Nos últimos anos, especialmente após a pandemia, Jundiaí passou a viver um verdadeiro boom imobiliário e de obras públicas. A paisagem da cidade se transformou: condomínios verticais se multiplicaram, loteamentos se espalharam por bairros antes tranquilos e obras de infraestrutura surgiram em diferentes regiões. À primeira vista, o cenário parece o de uma cidade em plena modernização — mas os impactos para a mobilidade, a qualidade de vida e o planejamento urbano levantam discussões importantes.



Crescimento acelerado e novos empreendimentos


De acordo com dados do SECOVI-SP e da PROEMPI, apenas entre 2022 e 2024 foram lançados ao menos sete novos empreendimentos — três verticais e quatro horizontais — somando mais de 1.600 unidades residenciais.


O ritmo é intenso e demonstra o interesse de construtoras e incorporadoras em explorar o potencial econômico da cidade, que hoje figura entre as mais valorizadas do interior paulista.

No entanto, especialistas apontam que o crescimento tem se dado de forma muito mais voltada ao lucro do que ao planejamento urbano. Novos condomínios surgem onde a infraestrutura ainda é limitada — sem vias adequadas, transporte coletivo eficiente ou áreas verdes suficientes.



Investimentos públicos em infraestrutura


A Prefeitura de Jundiaí, por sua vez, busca acompanhar o ritmo. Desde 2021, foram anunciadas diversas obras estruturantes, entre elas:


  • Ampliação da Avenida Frederico Ozanan, com prolongamento, pontes, ciclovias e calçadas modernas;


  • Canalização de trechos do Rio Jundiaí e obras de drenagem na Vila Hortolândia;


  • Melhorias viárias e de saneamento na região Leste e no Jardim Califórnia, somando mais de R$ 13 milhões em investimentos;


  • Projetos de mobilidade urbana financiados com apoio do governo estadual, que somam R$ 135,7 milhões.


Essas ações, embora relevantes, têm sido executadas de forma fragmentada, sem um plano diretor de mobilidade que garanta integração entre transporte público, ciclovias e circulação de pedestres.



Avanços na educação e na saúde


Na área da educação, destacam-se a ampliação do campus do Instituto Federal (IFSP), novas escolas estaduais e municipais e a entrega da nova sede da Secretaria de Educação.


Na saúde, houve construção e reforma de UBSs, implantação de uma Clínica da Família e o anúncio do Pronto Atendimento da Vila Progresso — embora algumas dessas obras ainda estejam em atraso.


Esses investimentos públicos têm impacto direto na vida da população, mas enfrentam o mesmo desafio das demais áreas: a falta de continuidade e de planejamento a longo prazo.



Segurança e problemas estruturais


O Centro Integrado de Emergência e Segurança, inaugurado recentemente, foi alvo de críticas devido a falhas estruturais como vazamentos e portas com defeito. O caso é um símbolo das dificuldades enfrentadas por obras públicas locais: alto investimento e entrega sem o padrão de qualidade esperado.



Benefícios e malefícios do avanço urbano


Benefícios:


  • Geração de empregos diretos na construção civil e no comércio local;


  • Aumento da arrecadação de impostos;


  • Expansão de serviços públicos e equipamentos urbanos;


  • Valorização imobiliária em várias regiões.


Malefícios:


  • Trânsito cada vez mais intenso em eixos como a Avenida Nove de Julho e a Ozanan;


  • Redução de áreas verdes e de lazer;


  • Falta de moradias acessíveis a famílias de baixa renda;


  • Desigualdade territorial crescente, com bairros valorizados e outros esquecidos.



O que o poder público poderia fazer


Urbanistas e moradores sugerem medidas urgentes para equilibrar o crescimento e o bem-estar da população:


  • Revisar o Plano Diretor para conter o adensamento desordenado;


  • Investir em transporte público de qualidade, integrando ônibus, ciclovias e calçadas acessíveis;


  • Fiscalizar o impacto ambiental e social dos novos empreendimentos;


  • Priorizar habitação popular e regularização fundiária, garantindo diversidade socioeconômica;


  • Aprimorar a transparência nas obras públicas, com prazos e gastos divulgados em tempo real.



Um futuro em disputa


Jundiaí está em um momento decisivo. O progresso é visível, mas o desafio é grande: crescer com planejamento, e não apenas com concreto e cimento.


A cidade precisa encontrar um ponto de equilíbrio entre o desenvolvimento econômico e o bem-estar coletivo — para que o avanço não se torne sinônimo de exclusão.



Fontes e links consultados



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