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EJA à beira do colapso: milhões perdem a chance de aprender enquanto governos abandonam seus deveres

  • Foto do escritor: Isaque Pers
    Isaque Pers
  • 28 de set.
  • 3 min de leitura


EJA desmorona: o grito esquecido dos milhões que precisam de educação


O que está acontecendo


A Educação de Jovens e Adultos (EJA) no Brasil mergulhou em crise silenciosa, mas devastadora. Dados recentes do Censo Escolar 2024 apontam uma queda de 198 mil matrículas em apenas um ano, totalizando 2.391.319 alunos — o menor contingente registrado desde que se faz a contagem. Em uma década, o Brasil perdeu 1,2 milhão de vagas nessa modalidade.


Enquanto isso, 9,3 milhões de pessoas com 15 anos ou mais ainda não conseguem ler ou escrever um bilhete simples. Dessas, 8,3 milhões têm mais de 40 anos; entre quem tem mais de 60, a taxa de analfabetismo atinge espantosos 15,4%.


A maioria dos estudantes da EJA é jovem (menores de 40 anos, 63,9%), e a proporção de pessoas pretas ou pardas chega a 76,8% — marcadores de profundas desigualdades.



Fatores que agravam o colapso


Segundo especialistas em políticas públicas de educação, quatro fatores explicam a crise:


  1. Condições de vida precárias: trabalhadores informais, jornadas longas e a luta pela sobrevivência afastam milhares das salas de aula.


  2. Políticas públicas falhas: desmonte de órgãos como a Secadi nos últimos governos, programas federais limitados e incentivo excessivo ao EAD, que não atende as realidades da maioria dos estudantes.


  3. Ausência de cultura de educação continuada: muitos gestores e até parte da sociedade não veem a EJA como um direito inegociável.


  4. Oferta inadequada: currículos pouco contextualizados, horários rígidos e escolas distantes da casa ou do trabalho dos alunos.




O papel heróico dos professores


Se a EJA ainda existe, é graças aos professores, que enfrentam diariamente salas heterogêneas, falta de recursos e políticas incoerentes. Eles não apenas ensinam: acolhem, motivam e dão sentido ao aprendizado, sendo farol de esperança para jovens e adultos historicamente excluídos da educação formal.

Apesar disso, seguem mal pagos, sobrecarregados e invisíveis diante do poder público. A resistência desses educadores é a única razão pela qual milhares de alunos ainda encontram espaço para aprender.



Crítica dura aos poderes públicos


  • União: falta de continuidade em programas, recursos insuficientes e ausência de mecanismos que obriguem estados e municípios a garantir vagas.


  • Estados e municípios: escolas distantes, oferta limitada a horários noturnos e cortes de verbas que tratam a EJA como “educação de segunda categoria”.


  • Plano Nacional de Educação (PNE): metas descumpridas, como integrar 25% das matrículas da EJA à educação profissional até 2024 (em 2023, o índice era de apenas 4,7%).



Caminhos urgentes


  • Valorização dos professores com salários justos e condições adequadas.


  • Financiamento consistente e transparente para EJA.


  • Metas obrigatórias com sanções a gestores que não cumprirem.


  • Flexibilidade na oferta: horários adaptados, ensino híbrido bem estruturado e currículo conectado ao mundo adulto.


  • Integração social: a EJA deve dialogar com transporte, saúde, habitação e assistência social.



Conclusão


A queda nas matrículas da EJA não é apenas estatística: são milhões de brasileiros sem oportunidade de estudar.

Enquanto professores seguem heroicamente sustentando a educação de jovens e adultos, o poder público municipal, estadual e federal insiste em virar as costas para quem mais precisa.

Sem ação imediata, o Brasil condena milhões a viver na escuridão do analfabetismo.



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