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Ensinar é resistir: os professores-heróis do CMEJA de Jundiaí que seguram a EJA enquanto o país reduz vagas

  • Foto do escritor: Isaque Pers
    Isaque Pers
  • 15 de out.
  • 5 min de leitura


No Complexo Argos, em Jundiaí, há uma rede de professores que vai muito além da lousa: são educadores que reescrevem vidas, acolhem alunos adultos com rotinas difíceis e mantêm viva a promessa constitucional de educação para todos. Enquanto dados nacionais apontam para uma queda preocupante nas matrículas da Educação de Jovens e Adultos (EJA), o CMEJA — suas equipes, núcleos descentralizados e professores — segue ativo, oferecendo alfabetização, ensino fundamental e médio para quem recomeça. Esta reportagem é uma homenagem a esses profissionais e um alerta ao poder público sobre o risco de retrocesso caso a EJA não seja prioridade. (Prefeitura de Jundiaí)



A situação hoje: um retrocesso que dói


O Censo Escolar 2024 revelou uma queda significativa nas matrículas da EJA: milhões de estudantes deixaram de ser contabilizados nos últimos anos, reflexo de políticas, cortes de investimento, evasão e dificuldades de oferta coordenada entre esferas. Em especial, a rede pública registrou redução acentuada de matrículas — um sinal de fragilidade da modalidade que atende populações em situação de maior vulnerabilidade. No terreno, instituições como o CMEJA de Jundiaí continuam funcionando e abrindo matrículas, mas convivem com incertezas e falta de garantias de longo prazo. (Serviços e Informações do Brasil)



Modelos que prosperaram — e modelos que ruíram


Estudos de casos no Brasil mostram que programas de EJA prosperam quando há: coordenação municipal ou estadual estável, formação continuada para professores, metas realistas de permanência, parceria com organizações sociais e adequação da oferta à vida do público (horários flexíveis, turmas por níveis, ensino contextualizado).


Exemplos municipais que investiram em formação docente, materiais didáticos contextualizados e articulação com políticas de inclusão social registraram melhores resultados de retenção e aprendizado. Por outro lado, unidades e redes que sofreram cortes orçamentários, descontinuidade administrativa e “juvenilização” da oferta (quando a modalidade deixa de atender adultos e vira vaga de escolarização regular mal adaptada) experimentaram declínio e até fechamento de turmas. (ResearchGate)



Por que a EJA importa — e por que o trabalho dos professores é heroico


  1. Direito e reparação histórica: a EJA é instrumento de justiça social que permite recuperar o direito à escolarização para milhões. Professores da EJA atuam como agentes de cidadania. (Recipp)


  2. Impacto socioeconômico: concluir o ensino fundamental ou médio amplia as possibilidades de emprego formal, renda e acesso a políticas públicas. Professores que orientam trajetórias de estudo e qualificação exercem papel estratégico no ciclo de mobilidade social. (IMAP)


  3. Flexibilidade pedagógica e acolhimento: docentes da EJA frequentemente desenvolvem metodologias ativas, alfabetização contextualizada e cuidados com as dificuldades emocionais e práticas dos alunos — trabalho que exige preparo e dedicação extras. (IMAP)



Pontos positivos da profissão — com foco na EJA


  • Significado social: alto senso de propósito; ver alunos retomarem a escolaridade e transformarem trajetórias.


  • Criatividade pedagógica: liberdade e necessidade de inovar (aulas contextualizadas, projetos de vida, parcerias locais).


  • Impacto direto na comunidade: professores da EJA frequentemente fortalecem vínculos comunitários e ampliam redes de proteção social. (IMAP)



Pontos negativos / desafios


  • Insegurança e descontinuidade: cortes orçamentários e mudança de prioridades administrativas deixam turmas e profissionais vulneráveis. (SciELO)


  • Carga emocional e multiplicidade de funções: professores acumulam papéis (educador, orientador social, articulador com serviços), sem necessariamente terem suporte técnico e psicológico. (IMAP)


  • Formação e valorização insuficientes: falta de formação específica para EJA e remuneração que nem sempre compensa o esforço extra. (SciELO)


  • Logística dos estudantes: muitos alunos adultos têm jornadas de trabalho, cuidados familiares e dificuldades de deslocamento; sem políticas de acolhimento e oferta flexível, a evasão aumenta. (Revista Educação)



Recomendações práticas ao poder público (municipal, estadual e federal)


A seguir, ações concretas e viáveis, extraídas de experiências bem-sucedidas e estudos nacionais:


  1. Plano municipal integrado para a EJA — criar (ou atualizar) um plano com metas de matrícula, retenção, alfabetização e conclusão, com monitoramento anual e participação da comunidade escolar. (Ex.: práticas de programas municipais de sucesso). (ResearchGate)


  2. Financiamento estável e contingência orçamentária — garantir verbas específicas para EJA no orçamento municipal/estadual, com reserva contra cortes abruptos. Estudos sobre financiamento mostram que a instabilidade é fator chave de declínio. (SciELO)


  3. Formação inicial e continuada específica para EJA — ofertar cursos e oficinas sobre metodologias de alfabetização de adultos, avaliações diagnósticas e inclusão. Incentivar formação em serviço remunerada. (ResearchGate)


  4. Jornadas e oferta flexíveis — ampliar turmas em horários noturnos, semi-presenciais e por núcleos próximos das comunidades (como já faz o CMEJA com vários núcleos), para reduzir barreiras de deslocamento. (Prefeitura de Jundiaí)


  5. Articulação intersetorial — integrar EJA com assistência social, saúde, emprego e capacitação técnica (PROEJA, programas locais), criando rotas para inserção profissional e continuidade de estudos. (Recipp)


  6. Valorização remuneratória e reconhecimento público — reconhecer oficialmente (prêmios, gratificações, bônus por formação e resultados) os professores que se dedicam à EJA. Isso aumenta a permanência de bons profissionais. (SciELO)


  7. Campanhas locais de mobilização e diagnósticos contínuos — identificar populações fora da escola, mapear motivos de evasão e realizar ações de busca ativa (parcerias com igrejas, ONGs, sindicatos). (Ação Educativa)



O que o CMEJA de Jundiaí e seus professores nos ensinam


O CMEJA de Jundiaí, presente no Complexo Argos e em núcleos descentralizados, demonstra compromisso com a oferta local da EJA (matrículas abertas, atividades culturais e articulação com a comunidade). Professores que atuam ali não apenas ensinam conteúdos: ressignificam trajetórias, constroem pontes para cursos técnicos, qualificações e inclusão no mercado. Eles merecem reconhecimento público e medidas que garantam continuidade do trabalho. (Prefeitura de Jundiaí)



Homenagem: aos professores e professoras da EJA — heróis e heroínas


A vocês, que chegam mais cedo, esperam alunos com problemas, adaptam planos e celebram pequenas conquistas: a sociedade lhes deve gratidão. Vocês resgatam direitos, fortalecem famílias e constroem cidadania. Neste Dia do Professor (e em todos os dias), recebam esta homenagem: que suas vozes sejam ouvidas, que suas condições melhorem e que a EJA seja tratada como prioridade pública — não como projeto eventual, mas como compromisso de Estado. (IMAP)



Conclusão


Salvar e fortalecer a EJA é investir em justiça social, trabalho decente e futuro produtivo para milhões. Em Jundiaí, o CMEJA e seus professores mostram que é possível transformar vidas. Cabe ao poder público apoiá-los com planejamento, financiamento estável, formação e políticas intersetoriais. Invisíveis em muitas estatísticas, esses professores são — na prática — heróis que cuidam do futuro do país.



Fontes e links consultados



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